Sonho, sonho, sonho

Fevereiro 28th, 2007

Longe vai o meu.

Perto vem, chega o seu. Vem exato conclamar comigo que razão há no calor da minha emoção.

Sonhamos juntos que nos encontramos nesta ou noutra vida.

VER X ENXERGAR

Fevereiro 28th, 2007

Cenário: várias cadeiras enfileiradas imitando um Cinema, a luz ainda está ligada e há na segunda fileira (de trás para frente, precisamente, na segunda cadeira da esquerda para a direita) um adolescente. Fora isso, o cinema está vazio, pois é a sessão de 14h. O que se vê são duas senhoras de idade na mesma fileira do garoto, mas na outra ponta e um casal de aposentados. 

Trilha Sonora: Anúncios, típicos de cinema. 

Ação: O adolescente de cerca de 16/17 anos está sentado sozinho, comendo pipoca, jujuba e tomando guaraná. O menino faz bastante barulho, pois mastiga de boca aberta, fica horas tentando abrir a jujuba (que já é um artigo barulhento) e coloca seus tênis (do modelo Nike mais moderno possível) na traseira da cadeira da frente e fica batucando com os pés uma música de funk. 

Passam-se 30 segundos e vem se aproximando um cego com sua bengala. É um homem bonito, de corpo atlético, está vestindo um terno muito elegante e sapatos pretos impecáveis. Usa um óculos escuros Armani e carrega uma maleta preta, típica de homens de negócio. Tem cerca de 40 anos. 

 

 

 

 

Cego: - Ei, garoto, você pode passar para a cadeira do lado, por favor? 

Adolescente: - E, cara, mas tu é cego, o que que tá fazendo no cinema? Ih, cara maluco!!! (tom irônico) 

Ação: O cego não responde e se senta na cadeira ao lado do adolescente, faz cara de contrariado. 

Cego: - Seu moleque, já percebi que você não tem educação mesmo e vi que não vai mudar de lugar, mas pode, por favor, fazer menos barulho? (tom de bronca) O filme já vai começar. (tom ansioso) 

Adolescente: - E, ô ceguinho, em primeiro lugar como é que tu sabe que eu sou um moleque se você não vê nada? E  quem é você pra me chamar de mal educado? Nem me conhece, e sai fora, ceguinho…. (tom malcriado). 

Trilha sonora: Música de fundo da Columbia Filmes, Tri Star Pictures ou coisa parecida….daquelas que anunciam o início do filme. 

Cego: - Bom, vou responder às suas perguntas, apesar de o filme já estar começando e eu estar louco pra ver. (tom aborrecido). 

Estou tentando vê-lo desde a estréia, mas não tenho tempo. Não fosse essa audiência ter sido cancelada hoje e eu estar ao lado do Odeon. (tom de voz baixo como se pensasse alto) 

Mas enfim, vamos lá: Uma pessoa que fica batucando funk na cadeira da frente com um tênis barulhento desses, mastigando pipoca de boca aberta, abrindo um saco de jujuba que já é barulhento por si só, como se estivesse sozinho no cinema e tomando guaraná Kuat, que tem esse cheiro indefectível, ou é um adolescente ou, no mínimo, um adulto bem infantilóide….(risos) 

Adolescente: - Mas vem cá, você é cego mesmo ou ta usando essa bengala e esse óculos só de onda? 

Cego: - Eu não sou cego, garoto, sou deficiente visual. 

Adolescente: - Ah, foi mal cara, achei que tu era cego, daqueles que não vêem nada. Foi mal. 

Cego: - Mas eu não vejo nada mesmo. Õ moleque,  deficiente visual é a pessoa que não vê; ou não vê totalmente ou não vê parcialmente. No meu caso, a deficiência ocular é total. 

Adolescente: - E, caramba, agora complicou. Eu sou meio burro pra palavras. Se você não enxerga nada, como é que adivinhou essas coisas, tu é vidente? 

Cego: (Grande gargalhada)….Claro que não, até porque a vidência é o contrário da deficiência visual, mas isso é outra história. Eu não vejo pelos olhos, mas eu enxergo sim, ué! Enxergo pelos ouvidos, pelo olfato, pelo tato e pelo paladar.  

Adolescente: Ah, entendi. (fala, sem entender nada, mas envergonhado da sua ignorância total sobre o assunto e sobre o momento) 

Cego: Eu sei bem como o mundo encara os deficientes visuais, como pessoas que não enxergam nada, isso é muito triste. Há um preconceito grande e uma falta de políticas neste setor. No meu caso, tudo foi muito diferente: nasci em Barbacena, interior de Minas Gerais. Desde que nasci, meus pais me explicaram que eu não poderia ver com os olhos, mas que era claro que eu poderia enxergar o mundo e a vida e me desenvolver plenamente. Fui aprendendo, então, a enxergar com todos os outros sentidos que eu tenho. Antes da Classe de Alfabetização, eu já tinha aulas de piano e de natação. 

Adolescente: Peraí cara, tocar piano, tudo bem, eu já ouvi falar do Ray Charles e do Stevie Wonder, mas como é que cego nada? 

Cego: Deficiente visual, eu já te disse! (tom severo) Ué, ele nada igual a você: krowl, peito, costas e golfinho. Claro que eu tive um acompanhamento de um guia que me mostrou o tamanho da piscina, onde ela começava e onde terminava, em cada borda da piscina lá de casa, meus pais colocaram borracha para que eu não me machucasse e para que soubesse que havia chegado na borda oposta, afinal tinha apenas quatro aninhos quando comecei.   

Adolescente: Aí, mas na tua cidade ninguém dizia nada de você, tipo que tu não podia andar sozinho, que ia se machucar, que você não podia fazer nada, essas coisas…. 

Cego: Olha, algumas pessoas diziam sim, mas desde pequeno, meus pais, que são brilhantes, me ensinaram a andar sozinho, a conhecer as dimensões da casa e a principalmente não ligar para os comentários alheios. 

Adolescente: Alheios???? 

Cego: Comentários dos outros, menino, você não estuda não? 

Adolescente: Ah, eu mato muita aula, acho um saco ir naquela escola de mauricinho, meu lance é fumar maconha e ouvir funk. Agora mesmo, eu to matando aula de informática, que meus pais me colocaram aqui no centro… 

Cego: Entendi. (tom entristecido, mas resignado) 

Adolescente: Mas me conta a tua história que ta muito mais legal do que as minhas aulas e até do que este filme. Filme japonês, porra. (riso debochado) 

Cego: Imagina… (risinho de canto de boca, debochado), este filme é ótimo, neste momento, por exemplo, a mulher está andando a caminho do seu amor.  

Adolescente: Como você sabe? (pergunta assustado) 

Cego: Primeiro, porque ouço passos de mulher, mulher de salto alto, do tipo bonita, elegante e sensual. Não poderiam ser passos de homem porque são leves. Depois a música é romântica, daquelas que precedem um encontro amoroso e também porque li a sinopse do filme e sei que se trata de um filme de amor. Aliás, nem precisava ler, todos no meu escritório estão falando do filme, já está virando um clássico: Até o nome é lindo: 2046: Segredos do Amor. (tom romântico) 

Mas já vi que vou ter que assistir de novo, porque não estou conseguindo me concentrar. Tudo bem, está valendo a pena. (risos) 

Adolescente: Cara, tu é sinistro, mesmo, hein….continua aí tua vida de criança em Barbacena…., tava manerona! 

Cego: Então, como eu ia falando, sempre levei uma vida normal e brincava muito com meus irmãos. Tenho dois. Além do piano e da natação, freqüentava uma creche com crianças videntes, ou seja, que vêem pelos olhos. 

Adolescente: Ah ta, já ia te perguntar o que era vidente….risos 

Cego: Minha vida só mudou um pouco aos 6 anos, quando tive que aprender a ler e escrever. Como o Brasil é muito atrasado, na minha cidade não haviam escolas para deficientes. Então, meus pais, como já te disse, muito esclarecidos. Papai é médico obstetra e mamãe veterinária, contrataram um professor particular de braile e compraram para mim a máquina para que eu aprendesse esta forma de ler. Estudei em casa por cinco anos, mas nunca fui tratado diferente de ninguém, nem dos meus irmãos nem dos amigos, os quais nunca perdi o contato, pois freqüentavam o mesmo clube que eu. Me lembro até hoje do primeiro livro que eu li: “O pequeno príncipe”, gostei tanto que achei que o livro tinha sido escrito só para mim. Também eu tinha sete anos, idade egocêntrica, e quando li que “o essencial é invisível aos olhos, que só se vê com o coração”, fiquei emocionado de pensar que tinham feito um livro só para mim. (risos). Claro que depois descobri que o livro era um clássico mundial. 

Adolescente: Sei qual é. É um livro maneiro, cara, dos poucos que eu já li. E então você sempre estudou em casa.  

Cego: Não, a partir da 5ª série eu voltei para escola normal e sempre assisti às aulas com um gravador. Continuava, paralelamente, com as aulas de braile particulares. Mas aprendi muito sobre geografia, biologia, química, na escola etc… Claro que tive muita sorte de meus pais terem dinheiro e de serem pessoas altamente esclarecidas, humanistas, na verdade. Eles sempre me disseram que meu esforço seria maior do que o dos outros, mas que assim como eu era diferente, nenhuma pessoa era igual a outra e que todo ser humano tinha deficiências. Então, todo dia, depois do colégio, eu tinha que ouvir a gravação e passar tudo pro braile. Assim, desenvolvi um método de estudo e já no primeiro ano, pude dispensar o professor de braile. 

Ah, esqueci de te dizer, também sou apaixonado por música e cheguei a formar uma banda com 15 anos. Talvez, se fosse apaixonado por letras, tivesse mais dificuldades, afinal existem poucos livros em braile, infelizmente. 

Quando fiz 17 anos, passei por uma fase parecida com a sua, me apaixonei pela vocalista da minha banda e só queria saber de namorar e tocar guitarra, nada de estudar. Aliás, qual é seu nome mesmo, garoto? 

Adolescente: Alexandre. Peraí, você namorava??? (chocado) Mas como, sem ver nada??? (perplexo) E não era piano que você tocava. 

Cego: Meu nome é João Henrique, desculpe nem me apresentei a você. (tom professoral) Comecei no piano e passei pra guitarra. Quando você aprende a tocar um instrumento, fica fácil aprender outros. Sobre o fato de eu namorar, por acaso você beija na boca de olhos abertos? E as outras coisas, ainda mais interessantes, você precisa usar seus olhos ou os outros sentidos são muito mais importantes Alexandre? Ah, desculpe, você é tão novo que ainda deve ser virgem. (tom constrangido) 

Adolescente: Que virgem o que, tio, eu perdi a virgindade aos 13 anos, muito antes de você, com certeza! (tom indignado, no que as senhoras da fileira dizem: Fala baixo!!!). Foi mal, João Henrique, foi mal te chamar de tio, mas você tem toda razão. Na hora H, o olfato, a audição e principalmente o tato (risinho safado, que é compartilhado pelo João Henrique) são muito mais importantes. Mas, João, você não tinha nenhum medo das garotas não quererem namorar você por ser cego, quer dizer, deficiente visual. 

Cego: Eu? Claro que não, minha auto-estima sempre foi alta! To brincando….mas porque eu teria receios, sempre fui amado pela minha família, valorizado e bonito…. 

Adolescente: Isso é verdade, até eu que não sou boiola tenho de reconhecer…(risos) 

Cego: Além de bonito, tinha corpo atlético - depois da natação, pratiquei equitação com ajuda de um guia e até hoje tenho meus cavalinhos - era um jovem inteligente, culto, alegre, quem não ia me querer, Alex? (sorrisinho maroto). Mas quando fui fazer intercâmbio tive que terminar o namoro com a minha linda cantora. Foi uma pena (tom nostálgico). 

Adolescente: Intercâmbio? Não sabia que tinha especial pra deficientes visuais. 

Cego: E não tem. Fiz intercâmbio normal, passei um ano em Oxford, na Inglaterra, na casa de uma família excelente e muito esclarecida. Já tinha meu método de estudos e aprendi inglês na prática.  

Na volta ao Brasil, revi minha pequena Barbacena querida, com seus doces de goiaba, doces de uva,  seu cheiro de terra molhada…. Sabia que, em breve, teria que ir embora. 

Adolescente: Por quê? 

Cego: Pra faculdade, ué? Você acha que em Barbacena, existem boas universidades???? Me decidi pelo Direito, sempre gostei de filmes de tribunal e de lutar pela justiça. Achei que daria um bom advogado. Vim estudar no Rio, mas precisamente na PUC. Não vim sozinho, Alexandre, antes que você pergunte. Meu irmão mais velho já morava aqui e comprei um cão-guia, o Allstar, que até hoje me acompanha. Aliás, ele ta me esperando na porta do cinema, o All não gosta de escuro! 

Adolescente: Saquei (diz, mais perplexo, ainda). E deixaram você estudar na PUC e depois conseguiu emprego na maior moleza (tom irônico) 

Cego: Claro que não foi tão fácil assim. Não é fácil pra ninguém (diz com voz bem baixinha, quase inaudível) Deixaram eu estudar ao saber de meu histórico acadêmico e de meu método de estudos, ou seja, gravar tudo o que o professor fala e passar para o braile, quanto aos livros que eu tinha que ler, contratei um ledor e também tive a ajuda do Zeca, colega de Barbacena que também fazia Direito no Rio. Quando me formei, há 15 anos, fiz a prova da OAB (ô provinha) e entrei no escritório de um amigo de papai. Tive regalias, pois acreditavam muito no meu talento, portanto, desde que era estagiário, esqueci de dizer que estagiei durantes seis meses antes da formatura, trabalhava em conjunto com um estagiário que também fazia as funções de ledor, quando necessário.  

Tenho que dizer que graças ao meu talento, subi rapidamente na profissão, minha especialidade é Direito de Família e minhas petições são ditadas para minha assessora que as redige, apesar de existir, hoje em dia, um computador especial para nós, deficientes visuais. Nisso eu ainda estou no método antigo, tenho que admitir. Alexandre, a profissão de advogado exige muitos requisitos, mas não necessariamente a visão. Ela te exige dedicação, muito estudo, atualização constante, dinâmica e perspicácia. E modéstia à parte, eu arraso no Tribunal!!! Mando bem, como você diz…. (risos) 

Adolescente: Eu to chocado e bolado com você, tu é muito dez, cara, incrível mesmo! (nesse momento, Alexandre já está virado para o João, de costas para a tela de cinema e com o queixo caído) 

Cego: Nem sou tão incrível assim, Alexandre. Todos os seres humanos passam por problemas, dificuldades e limites. É importante saber superar os limites. Do momento em que você consegue descobrir o seu limite e tem força de vontade, se torna capaz de tudo. Bom, o papo está ótimo, mas tenho que ir, o filme está acabando mesmo e já está quase na minha hora. Às 17h, tenho reunião da minha ONG. 

Adolescente: Ih, como é que você sabe que horas são, João? Assim também já é demais, a gente ta dentro do cinema, você não me perguntou as horas e nem ligou pro 130. 

Cego: Simples, eu tenho um relógio de pulso que “fala” a hora. Basta eu apertar. Tecnologia, my boy. 

Adolescente: Ah….tecnologia, né? Óbvio. (cara de inocente) E essa ONG como é? E você é casado, tem filhos? (pergunta afobado….) 

Cego: Calma menino, ta querendo saber tudo de uma vez. Mas tudo bem, a ONG se chama VER PARA CRER e nosso objetivo é democratizar os meios de comunicação, ensino e outros para os deficientes visuais. No Brasil, são milhares de cegos e nem todos contam com as condições financeiras e, principalmente, com a cabeça instruída e aberta de suas famílias como eu contei. Quanto ao meu estado civil: sim, sou casado com uma advogada. Ah, ela enxerga com os olhos também, caso você tenha curiosidade de saber…. 

É meu amorzinho, até tinha ficado de ver este filme com ela, mas tive essa pausa no trabalho e não resisti. Agora, graças à você, Alexandre, vou ser obrigado a ver o filme de novo com a Bel. Até que não foi tão mal ter esta conversinha vespertina. É sempre um prazer ir ao cinema com ela, minha linda. Ah, também tenho dois filhos pequenos, um casal.  

Adolescente: E eles são normais? 

Cego: Não, tem um que voa, se você ver um menino por aí voando, pode ter certeza que é meu. (risada gostosa) 

Adolescente: Pô, João, fala sério. Eu to perguntando se eles são cegos também, desculpa, eu, sempre esqueço, se eles são deficientes visuais. 

Cego: Não. Eles enxergam a vida com todos os cinco sentidos, mas ainda têm muito a aprender. Laura, com seis anos, anda muito preguiçosa com as aulas de ballet e está engordando, e Pedro, de nove anos, adora dizer que quer ser funkeiro quando crescer, vê se pode? Deve ouvir os mesmos funks que você! Não quero nem ver quando chegarem à sua idade, quanta dor de cabeça eu vou ter. 

Adolescente: Poxa, Dr. João Henrique, deve ser assim que o pessoal te chama né, você é pessoa mais fantástica que eu já conheci. Na boa, cara, aprendi muito contigo. Dá até vergonha ser o vagabundo que eu sou, vou dar mais valor a tudo que eu tenho: tenho família, saúde, dinheiro, moro na Zona Sul e só quero saber de fumar maconha e ouvir funk, além de matar aula e desperdiçar o dinheiro dos meus pais. Agora eu vejo quantas deficiências eu tenho. Vai nessa, a gente se vê e, quem sabe, eu não aprenda a enxergar como você.  

  

 

 

 

Angústia

Fevereiro 28th, 2007

Tenho um sonho que se repete quase (todo dia) sempre!!!

São meus filhinhos, que me chamam aflitos e eu não consigo tocá-los ou chegar perto deles.

São quatro jóias, meus pequenos angelitos, tão frágeis e precisam da mãe. Pedem para vir para junto de mim.

Acordo suada, angustiada, com a garganta presa. Vontade de gritar, de chorar: venham amores que os cobrirei todos os dias de carinho e beijinhos……….

Quem vê?

Fevereiro 28th, 2007

Tenho uma lente que me faz enxergar além….Bem além, lá atrás, onde quase ninguém vê

Quem vê? Vê quem quer. A beleza do mundo é de quem vê.

Feche os olhos ou coloque uma lente de aumento, que sirva para miopia, astigmatismo e hipermeotropia e veja a singela poesia do dia-a-dia.

Quem vê sabe que ela rima e afina.

O Bem-Amado

Fevereiro 12th, 2007

Cinco da tarde, quarta-feira, malandragem da Lapa, chegando nos bares. Ele apareceu: louro, cabelo bem cortado, chapéu panamá (como quase ninguém usa mais), olhos de um verde claro bonito.

Alto, troncudo, forte, o corpo lembrava o de um pescador, ou ainda, de um homem da estiva….

As putas suspiraram quando ele passou. Para ele, dariam de graça, e com que prazer. Ah, se ele quisesse, pagariam a ele por algumas horas em seus braços fortes, seguros. Por sua beleza inebriante, seu carisma, simpatia, gentileza.

Mas não eram só as putas não, as meninas da Zona Sul, que frequentavam o Semente, o Rio Scenarium, o olhavam com cobiça.

E quando ele tirava alguma para dançar, com seu jeito tímido galanteador, e se elas sentissem seu perfume e suas mãos firmes na nuca enquanto dançavam. Ah, meu Deus, quanta felicidade era esse momento. Não pode haver no mundo mulher mais feliz e afortunada. Sentem o cheiro dele em seu ar, no mesmo ar em que estavam respirando.

Que ar….Inebriante como álcool. Que o mundo parásse ali. Naquele olhar…

Parana

Fevereiro 12th, 2007

Paranóia, dilema, crise?

Esse amor que espero.

Vem, chega!

Traz com você o entusiasmo e a paixão por mim

Sacode minha vida

E se você não vem?

Vida sem graça. Ânimo que falta.

Será que por isso você não me vê?

Não quero te esperar.

Coisa ruim esperar (parece com não viver)

A espera atrapalha. Tudo.

Venha, sim, sem ser esperado, aguardado, meu amado.

Ânimo voltou, tudo de bom!!!

Catarse

Fevereiro 12th, 2007

A catarse das palavras, dos dias, dos sonhos, dos medos. Onde está ela? Na arte?

Não sei mais.

Medo.

Medo de ter medo. Não sei mais o que sinto.

Só uma puta vontade de sair. De casa, dos problemas, de mim. De ser outra.

Por que criar o blog Poesia & Canção?

Fevereiro 11th, 2007

O objetivo deste blog é a expressão das minhas idéias, textos, poesias e pensamentos. Servirá como uma catarse, sem ambição maior.

Olá mundo!

Fevereiro 11th, 2007

Bem-vindo ao blog Poesia & Canção. Que não sejam pretensiosas, mas apenas donas de certa beleza minhas poesias e canções. Desejo feito.